Brasil

Polícia reprime ato contra Temer e reformas. Ministério é incendiado

Publicada em 24 de Maio de 2017 ás 16:25:50
Pedro Lareira/Folhapress
Manifestante se protege de bombas em Brasília


 A Polícia Militar do Distrito Federal reprimiu de forma violenta a marcha que reuniu centrais sindicais e movimentos sociais nesta quarta-feira (25) em Brasília. Os manifestantes pedem a saída do presidente Michel Temer e eleições diretas, além de serem contra as reformas trabalhista e da Previdência que tramitam atualmente no Congresso Nacional. A PM ou o Corpo de Bombeiros ainda não confirma, mas há feridos entre os manifestantes. 

 

Imagens mostradas pelo canal a cabo GloboNews mostraram um incêndio dentro do prédio do Ministério da Agricultura. Segundo a emissora, todos os ministérios da Esplanada dos Ministérios foram evacuados e há danos ainda nos ministérios do Turismo, Fazenda, Planejamento e Minas e Energia. 

 

Segundo o portal G1 um forte confronto nas proximidades do Ministério da Agricultura impede a chegada do Corpo de Bombeiros para controlar o incêndio. Há notícias ainda de uma invasão no Ministério da Cultura, onde manifestantes teriam roubado documentos e os jogado na rua.

 

De acordo com a organização do ato, cerca de 800 ônibus com manifestantes de todo o Brasil chegaram a Brasília até a manhã de hoje e o ato se concentrou no Estádio mané Garrincha. Por volta das 11h30 a passeata teve início com o objetivo de chegar ao Congresso e à Praça dos Três Poderes.

 

Um forte esquema de segurança, porém, impedia o avanço dos manifestantes, que forçaram a passagem já nas proximidades do Congresso, por volta das 13h30. Em retaliação, a polícia usou bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha para conter a multidão. Há forte divergência entre os números, uma vez que a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal fala em 25 mil pessoas e os organizadores do evento falam em 150 mil.

 

Durante a marcha, líderes sindicais anunciaram no carro de som que nenhum mascarado ia entrar no movimento. "Estamos de olho", anunciaram e pediam que quem estiver com o rosto coberto que tirasse a máscara. No entanto, imagens veiculadas pelos meios de comunicação e nas redes sociais mostram vários manifestantes com os rostos cobertos e armadas com pedaços de madeira. 

Prédios da Esplanada dos Ministérios foram danificados durante o ato. Um manifestante com o rosto coberto pichou "Diretas Já" na fachada do prédio de Minas e Energia. No Ministério da Fazenda, vidros foram quebrados e os servidores, dispensados. Banheiros químicos e grades dispostas ao longo da via também foram derrubados.

 

Mesmo após dispersar boa parte do ato, por volta das 15h a Polícia continua jogando bomba contra os manifestantes nas vias S1 e N1, nos arredores da Esplanada dos Ministérios. Mesmo assim, novos grupos continuavam a chegar no gramado central da Esplanada.

 

Parlamentares

Parlamentares de partidos da oposição se juntaram à marcha por volta de 13h e subiram em um dos carros de som que cruzava a Esplanada dos Ministérios, mas disseram que só iam discursar quando estiverem na frente do Congresso. No momento de confronto, alguns deles - como os deputados Chico Alencar (Psol-RJ) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e os senador Paulo Paim (PT-RS) - sofreram os efeitos da forte repressão policial ao serem atingidos pelo gás lacrimogênio. 

Dentro do Senado, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) anunciou em Plenário que vai formalizar pedido para que a Presidência do Senado solicite da Polícia Militar do Distrito Federal mais respeito no tratamento com os manifestantes. A senadora contou que estava em um carro de som no início desta tarde e presenciou o início dos confrontos entre pessoas presentes à manifestação e os policiais.

 

"Podíamos ver uns 50, 60 homens mascarados com paus na mãos. Eu falei do caminhão, pedi para que não usassem máscara porque ali só tinha pais e mães de família, só tinha trabalhadores",  relatou a senadora.

Vanessa acredita que essas pessoas foram infiltradas na manifestação para causar confusão e a polícia respondeu imediatamente de forma violenta.

 Da Carta Capital

 

Fonte/Autor: Diario News Bahia

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